As diversas formas de Assédio no trabalho se intensificam nos contextos de avanços das medidas neoliberais no Serviço Público, atingindo, principalmente, as mulheres, os/as negros/as, a população LGBTQIAPN+, as pessoas com deficiência, Indígenas e idosos.
O assédio se revela, muitas vezes, através de práticas silenciosas, intensificadas nos cenários de precarização do trabalho. As jornadas exaustivas e a lógica do trabalho por plataformas, aprofundadas pelos Programas de Gestão do Teletrabalho, que precarizam direitos e reduzem garantias trabalhistas, são fatores que contribuem diretamente para o adoecimento físico e psíquico dos trabalhadores e das trabalhadoras.
O processo de adoecimento no trabalho tem relação direta com as intensificações das jornadas, com as práticas de assédio, com as precárias condições de trabalho e a corrosão salarial. Além disso, é necessário pensar sobre os sentidos da vida fora do trabalho. O tempo sem a venda da força de trabalho torna-se cada vez mais encolhido, e esse ―pseudo tempo ―livre é suficiente apenas para garantir a reposição de nossa capacidade de produção: ir ao supermercado, realizar atividades domésticas, ir ao médico, repousar/dormir. Dificilmente nesse tempo fora do trabalho satisfazemos nossas necessidades afetivas e individuais, sobretudo para as mulheres, que acumulam a dupla jornada de trabalho profissional e doméstico, enfrentando jornadas interruptas e exaustivas.
Essa realidade nos impõe o desafio de compreender o assédio não apenas como conduta individual, mas como parte de um projeto estruturado de exploração, exclusão e silenciamento. Por isso, o observatório de combate ao assédio busca ser um instrumento de informação, conscientização e enfrentamento, fortalecendo a capacidade coletiva de identificar, denunciar e combater todas as formas de assédio no trabalho. Ao reunir conceitos, orientações jurídicas e reflexões políticas, pretendemos contribuir para a construção de ambientes de trabalho mais justos, seguros e saudáveis, nos quais os direitos fundamentais sejam respeitados e a dignidade humana esteja no centro.
Mais do que uma denúncia, esse espaço é um chamado à resistência e à ação coletiva, pois só pela organização e solidariedade da classe trabalhadora será possível transformar a realidade e garantir condições dignas de vida e trabalho para todos e todas Saudação aos Novos Servidores e Servidoras do IFPE.
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