A Bolívia vive um momento de intensa mobilização do movimento camponês, indígena, operário e popular. As manifestações iniciaram em 1º de maio, inicialmente com um chamado de greve geral pela COB (Central Operária Boliviana), seguido por bloqueios em rodovias por todo o país. Há mais de 45 dias, o povo boliviano ocupa as ruas e mantém bloqueios nas estradas para denunciar a alta do custo de vida, as privatizações, o desemprego, a fome e as políticas que atacam direitos sociais conquistados com muita luta. Essas manifestações são a expressão da resistência à política antipopular e antinacional do governo direitista e pró-imperialista de Rodrigo Paz, que está há sete meses no poder.
No dia 7 de junho, o Congresso aprovou uma Lei de Regulamentação dos Estados de Exceção, ao mesmo tempo em que o governo incentiva grupos paramilitares a romperem os bloqueios. Paz tem se alinhado ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, argumentando que o estado de exceção se aplica para combater o narcoterrorismo. Trata-se de um pretexto para reprimir os levantes e contribuir para o saque e a exploração dos recursos naturais da Bolívia, que possui valiosas reservas de lítio, metal indispensável para a indústria da tecnologia e da transição energética.
O papel do governo Lula tem sido de apoio ao governo repressor de Paz, com envio de armas não letais para reprimir os protestos e “ajuda humanitária”. Repudiamos a repressão e a criminalização dos movimentos sociais, e defendemos o direito de organização, manifestação e luta de todos os setores populares mobilizados na Bolívia. Os manifestantes têm levantado a exigência de renúncia de Rodrigo Paz. A situação exige atenção, pois não basta a troca de um governo burguês por outro. Setores mais avançados do movimento defendem a convocatória de uma Assembleia Popular para unificar todos os oprimidos bolivianos em uma frente única anti-imperialista.
A luta anti-imperialista conecta todos os povos oprimidos do mundo em rechaço ao genocídio palestino, à agressão imperialista ao Irã, ao sequestro do presidente Maduro e de Cília Flores na Venezuela e ao bloqueio a Cuba, dentre outros. O Brasil também tem sido atingido com a imposição de tarifas por parte do governo dos Estados Unidos e com interferências na política nacional, além do saque de nossas riquezas por meio de privatizações e do sistema da dívida pública — o que leva a contrarreformas, ao arrocho salarial do funcionalismo e ao subfinanciamento das políticas sociais, inclusive da Educação.
O Sindicato dos Servidores e Servidoras dos Institutos Federais de Pernambuco (SINDSIFPE), seção sindical do SINASEFE, manifesta sua solidariedade ao povo boliviano e fortalece a defesa do atendimento de suas reivindicações. Consideramos que os métodos de luta adotados devem ser assimilados também por nossa categoria e demais trabalhadores brasileiros.